Maratonista supera câncer e fala sobre experiência de vida

Postado por IASD CARMARY / Sábado, Janeiro 21, 2012 0 comentários

Aos 27 anos ele descobriu que estava com câncer, depois de muito sofrimento, no hospital, resolveu procurar a Deus.  E encontrou. Após um ano de quimioterapia, Rafael Zobaran descobriu que estava curado. Havia recebido a segunda chance que pedira para Deus. A doença lhe ensinou uma lição, de que todos os sonhos podem ser alcançados, e que quando Deus não responder conforme a nossa vontade é porque tem planos melhores. Hoje o gaúcho Rafael Zobaran é um ultramaratonista e quer contar sua história para quem quiser ouvir, como motivação e exemplo de vida.

Zobaran concedeu entrevista à rádio Novo Tempo e contou toda a sua história. Acompanhe:


ouça aqui a entrevista

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Rádio Novo Tempo: Rafael, quando você descobriu que estava doente?

Rafael Zobaran: Quando eu tinha 27 anos, recebi a notícia de que estava com câncer. A ideia que me passou na cabeça foi que a minha vida terminaria logo ali. Todas as notícias que eu recebia de pessoas que haviam ficado doentes e que sofreram este tipo de doença, era de que tinham passado por um grande sofrimento durante o tratamento e mesmo assim, elas não conseguiram sobreviver e morreram de câncer. Logo que descobri o problema, o medico disse que eu precisava fazer uma cirurgia dois dias depois, porque o câncer estava bastante avançado. Quando eu saí do hospital já havia uma programação pra a recuperação, com tratamento de quimioterapia.


Nessa fase de tratamento, e isso foi no ano de 1998, eu me propus de que corrigiria todos os erros que tinha cometido, eu procuraria entender por que eu tomei tantas decisões erradas, independente de se o tratamento tivesse dado certo. Se eu morresse, que eu morresse em paz. Eu queria que Deus me desse uma segunda chance, que eu pudesse aproveitá-la com toda a plenitude. E foi assim que aconteceu.


Iniciei o tratamento que me obrigou a passar muito tempo internado. Durante todas essas internações, apesar de todo o sofrimento da minha família eu pedia que me deixassem sozinho por que eu queria fazer um encontro comigo mesmo. E assim eu comecei a avaliar tudo o que tinha acontecido e comecei a compreender porque eu tinha tomado tantas decisões erradas. Eu fui buscar no passado. Comecei a ver muitos momentos do passado, momentos que eu tinha guardado no meu inconsciente. Então, dentro dessa compreensão, de começar a buscar o autoconhecimento, num momento de muito sofrimento e dor, eu não sabia mais a quem recorrer, já tinham me dado todos os medicamentos, tudo o que era possível. Então, eu fiz a única coisa que eu sabia, naquele momento e eu jamais vou me esquecer disso, que a única oração que eu sabia era o pai nossa. Até aquele momento eu não tinha nenhuma fé e inclusive me denominava ateu, mas eu resolvi rezar o Pai Nosso e no término da oração, eu percebi que a dor tinha passado, então eu comecei a entender que tinha alguma coisa diferente acontecendo, que existia uma força superior me movendo e me ajudando a superar todos aqueles obstáculos.


Um ano depois, após todo aquele sofrimento, tantas dúvidas, momentos de muito medo, se iria conseguir superar aqueles obstáculos que eu estava vivendo, eu recebi a boa notícia do médico, que o tratamento tinha sido um sucesso e que eu deveria começar a voltar a minha vida normal. Isso foi no final de 1999 e então eu decidi que dali para frente eu ia utilizar toda aquela base que eu havia construído durante o tratamento para uma reconstrução pessoal, eu ia passar por um processo audacioso de reconstrução com base no autoconhecimento, com base na fé que eu tinha adquirido e essa base eu não queria perder.


“Naquele momento que eu passava por muita dor e sofrimento, causado pela doença, a oração foi uma revelação de que eu tinha a presença de Deus junto comigo. A partir daí, todas as coisas na minha vida começaram a dar certo e mesmo quando não dão, eu compreendo que é a mão de Deus dizendo que não era para acontecer e que vai acontecer algo muito melhor futuramente.” 

"Rafael Zobaran."

RN – Essa base foi sua fonte de equilíbrio ou você também usou outros métodos?

RZ – Eu passei por um processo de reconstrução, eu já tinha várias respostas, mas ainda tinha muitas dúvidas sobre quem eu era realmente por que até ali eu tinha criado uma farsa de uma pessoa para pudesse ser aceita no meio em que vivia. Eu descobri realmente quem eu era durante o tratamento e eu passei a buscar desde o início do processo de reconstrução um autoconhecimento para saber quem exatamente eu era, a minha personalidade, as minhas vontades, as minhas potencialidades e até mesmo as minhas fraquezas. Eu comecei a estudar com bastante profundidade grandes autores da filosofia e passei durante quase um ano debruçado em livros estudando e buscando interpretar a minha pessoa com mais profundidade, depois eu queria entender o que era essa fé que me movia. Eu comecei a procurar algumas religiões para entender o que era aquilo que eu estava sentindo dentro de mim e todas as respostas vieram. Depois de um processo de quase três anos de reconstrução mental e espiritual eu percebi que faltava ainda alguma coisa para encontrar o total equilíbrio e eu descobri que o equilíbrio vem do mental, do espiritual, mas também do físico. Então eu estive em busca de um esporte que pudesse praticar, não por um período de tempo, mas para a vida toda e eu identifiquei que a corrida era um esporte que poderia me atrair para que eu pudesse envelhecer com saúde.  A corrida me trouxe muito equilíbrio, era o que faltava, porque eu comecei a me alimentar corretamente, comecei a entender melhor as necessidades do meu corpo e me senti completo a partir daí porque já tinha feito a reconstrução mental e espiritual e o que faltava era só a reconstrução física.


RN – Quais foram os maiores desafios que você enfrentou, logo após sua superação?


RZ – Eu costumo dizer que a minha primeira ultra-maratona foi a quimioterapia. A doença me ensinou que os momentos mais difíceis e os de maior dor podem ser superados, nós temos uma força incrível dentro de nós, então eu costumo dizer que essa foi minha primeira ultra maratona, eu comecei a praticar corrida e a minha vida, depois desse processo de reconstrução, passou a ser movida por desafios. Toda aquela covardia e aquele medo que eu tinha, no passado terminaram. Então eu comecei a colocar desafios cada vez maiores. Meu grande sonho era fazer uma maratona de 42 km.  Eu achava inimaginável que alguém pudesse correr tamanha distância e eu comecei a correr 5 km, corri 10 km regularmente durante alguns anos, depois eu comecei a aumentar as distancias e um dia, em 2007, fiz minha primeira maratona. Eu me lembro que na chegada eu chorei muito porque lembrei de todo o processo que eu passei e percebi ali que eu era capaz de realizar qualquer sonho meu. Eu realizei aquele dia um grande sonho, só que eu passei a fazer uma maratona, duas maratonas e outras maratonas e eu percebi que eu queria enfrentar desafios ainda maiores e me tornei um ultra-maratonista com distancias de 100, 200 km ou até mais. São provas extremamente difíceis, levam a mente e o corpo do atleta ao extremo e é de tamanha dificuldade, mas eu lembrei a prova de tudo o que eu aprendi durante esse processo e que me trouxe um grande aprendizado e que tudo isso me preparou para ser um ultra maratonista


RN – Você considera a sua oração naquele leito de hospital importante? Qual é sua ligação com a fé neste momento?
RZ – Eu acredito que naquele momento que eu passava por muita dor e sofrimento, causado pela doença, a oração foi uma revelação para mim que eu tinha a presença de Deus junto comigo. Dali pra frente eu comecei a acreditar que realmente Deus existia na minha vida. Só que eu, neste processo de reconstrução, queria descobrir exatamente quem era esse Deus. Por que a partir dali eu tinha muito medo de não precisar mais dEle. As pessoas se apegam muito a Deus nos momentos de necessidade e quando não precisam mais, às vezes deixam Deus de lado. Eu pensei que eu não queria mais que Deus saísse da minha vida, eu estava muito grato por aquilo que tinha acontecido e não queria mais que houvesse um desligamento. Então eu queria entender quem era realmente Deus, e nesse processo todo de entender quem eu era, entendi realmente que Deus é uma força sobrenatural que existe dentro de mim, ela faz com que o mundo inteiro conspire o tempo inteiro a meu favor. Então, todas as coisas na minha vida de lá pra cá começaram a dar certo e mesmo quando não dão certo eu compreendo que é a mão de Deus dizendo não era para acontecer e que vai acontecer algo muito melhor Dalí pra frente. Então às vezes as coisas não funcionam muito bem, se algum projeto meu não funciona muito bem, eu chego atrasado em algum lugar e perco uma reunião e eu não vou entender naquele momento, mas eu vou entender logo ali na frente que realmente não era pra acontecer,  então eu considero que Deus está o tempo inteiro na minha vida, eu sinto a presença dEle durante as corridas, nos momentos de extrema dificuldades, eu consigo suportar essas dificuldades que eu vivo durante uma corrida porque eu sinto a presença de Deus junto comigo.

RN – Você pode deixar um recado para alguém que talvez tenha passado ou esteja passando pela mesma experiência que você passou? Um recado de superação.


RZ – Eu diria para as pessoas que estão passando por alguma dificuldade ou doença, que elas nunca percam a fé, que elas se esforcem para suportar todos esses momentos de dificuldade, que certamente eles passarão, mas que elas se preparem para os momentos bons também e compreendam que Deus precisa estar ao nosso lado, tanto nos momentos ruins de dificuldades, como nos momentos bons de celebração.

Produzido por Patrícia Matter e Joyce Meirelles                                        Fonte (NovoTempo)

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