Brasília, DF ... [ASN] De uma hora para a outra, roupas, móveis e objetos pessoais deixam de ter tanto valor e só resta vendê-los. A visita aos parentes no final de ano adquire um sentido diferente. Essa passou a ser rotina de quatro pastores adventistas e suas famílias há poucos dias. Samir Costa, Tomaz de Jesus, Matson Santana e Giovan Monteiro foram selecionados para servir como obreiros, a partir do segundo trimestre de 2012, em países da chamada Janela 10/40, região do mundo com a menor presença de cristãos. Os quatro aceitaram um convite feito pela Igreja Adventista do Sétimo Dia sul-americana que atende a apelo da Associação Geral para envio de mais missionários a países aonde vai se estabelecer um novo tipo de relacionamento com pessoas de outras religiões. Em novembro desse ano, o pastor Homer Trecartin anunciou no Brasil o lançamento de um projeto para estabelecimento de mais de 20 centros de influência em dezenas de países no mundo árabe e outros com baixa presença cristã. A ideia é mostrar cristianismo prático.
Uma das primeiras atitudes dos missionários, desde que souberam da aprovação do chamado, foi procurar o máximo de informações a respeito das regiões que serão sua morada pelo menos nos próximos três anos. O paulista Tomaz de Jesus, 29 anos, três anos de ministério, gasta boa parte do tempo com a esposa Evelyn na consulta pela web de informações, fotos e tudo o que é dito a respeito do Iêmen, país vizinho da Arábia Saudita, com mais de 23 milhões de habitantes, que tem passado nos últimos dias por turbulências políticas com a possível queda do atual governante. Ele vai trocar o distrito pastoral de Bernardino de Campos, no interior de São Paulo, pela cidade de Sana, onde, segundo ele, “o solo é fértil e as chuvas são bem regulares”. Até viajar em caráter definitivo para o país asiático, o pastor e a esposa, que sabem falar fluentemente o inglês, devem ensaiar algum aprendizado do idioma árabe. Outro ingrediente muito importante na avaliação deles é a oração. Apesar de estar feliz com a oportunidade, Tomaz de Jesus admite que necessita de Deus para conseguir cumprir com essa missão no distante e desconhecido país. Não há informação de igrejas adventistas organizadas no Iêmen, mas a ADRA – Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais atua na nação desde 1995 com projetos sociais.
de parte do país que recém foi dividido em partes norte e sul.
Cairo é uma cidade estratégica para o mundo árabe que vive hoje a transição de um governo militar para um governo cuja esperança é que seja mais democrático do que o dos anos anteriores. Os adventistas somam em torno de 200 pessoas na capital egípcia e contam com uma instituição educacional e duas congregações formais. Santana destaca a importância de haver um respeito pela cultura local e se sente satisfeito em poder fazer parte de um trabalho contextualizado e que lhe garantirá uma experiência ministerial ímpar.
Desafio no Chipre - Mais distante dos colegas, o pastor Samir Costa, 31 anos, natural de Londrina, no Paraná, chegou há três meses ao Colégio Adventista de São Luís, no Maranhão, mas já vai mudar novamente. Dessa vez para Nicósia, capital e principal cidade da ilha de Chipre, território integrante da Comunidade Europeia, mas que é motivo de antiga disputa entre Grécia e a Turquia. “É um privilégio, mas ao mesmo tempo me sinto indigno para esse chamado”, admite com humildade o jovem pastor. Costa e sua família vão trabalhar com centros de influência na parte norte de Chipre, com predominância turca e islâmica.
Antes de viajar para seus novos destinos missionários, os quatro pastores e suas famílias passarão por um período de aproximadamente um mês de capacitação e orientações específicas em um centro de treinamento adventista na Tailândia. Segundo o pastor Erton Köhler, líder dos adventistas na América do Sul, a iniciativa de intensificar o envio de missionários para locais como a Janela 10/40 é saudável para ambos os lados. “Os missionários ganham com a experiência cultural e espiritual e a Igreja ganha quando eles retornam e fortalecem o conceito de visão mais ampla da nossa missão”, destaca. [Equipe ASN, Felipe Lemos]















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